Medo da Permanência de Lula é de 41%, Enquanto 44% Temem a Volta de Bolsonaro, Aponta Pesquisa Quaest
A mais recente pesquisa realizada pelo instituto Quaest revelou um panorama político que reflete os receios e expectativas de parte significativa da população brasileira em relação aos dois principais líderes políticos do país. De acordo com os dados levantados, 44% dos entrevistados demonstraram preocupação com a possibilidade de Jair Bolsonaro (PL) retornar ao poder, enquanto 41% indicaram ter receio da continuidade de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na presidência.
Esses números ressaltam a polarização que ainda permeia o debate político brasileiro. A pesquisa indica que, enquanto uma parte considerável da população teme um eventual retorno de Bolsonaro à presidência, um número igualmente expressivo de cidadãos manifesta inquietação com a permanência de Lula no cargo, ainda que o ex-presidente tenha sido eleito democraticamente em 2022.
A pesquisa traz à tona as profundas divisões que marcaram os últimos anos no Brasil, onde os seguidores de Bolsonaro e Lula se encontram em campos opostos e, muitas vezes, ideologicamente irredutíveis. O levantamento sugere que, independentemente do apoio eleitoral conquistado por ambos, a percepção pública continua a ser marcada por uma grande desconfiança e receio em relação aos rumos que o país pode seguir.
O medo em relação a Bolsonaro, apontado por 44% dos entrevistados, pode estar relacionado ao histórico de seu governo, marcado por polêmicas, críticas à gestão da pandemia de COVID-19, descontentamento com políticas sociais e ambientais, e tensões com outras esferas de poder, como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-presidente, que deixou o cargo em 2023, continua sendo uma figura polarizadora, com um apoio considerável entre as forças mais conservadoras, mas também com um alto índice de rejeição entre diversos segmentos da sociedade brasileira.
Por outro lado, a preocupação com a permanência de Lula, expressa por 41% dos entrevistados, pode ser associada aos desafios que o atual governo enfrenta em relação à economia, à inflação e às expectativas sociais. A gestão de Lula é constantemente observada tanto pelos seus aliados quanto por seus críticos, que apontam dificuldades na implementação de suas políticas públicas, além de uma crescente insatisfação com a condução de algumas áreas do governo.
Entre os que temem a permanência de Lula, há um número considerável de pessoas que ainda associam sua figura ao passado de instabilidade política e econômica do Brasil, apesar de sua popularidade e histórico de conquistas durante seus dois mandatos anteriores. A questão da corrupção também ainda é um tema recorrente nas discussões sobre o atual governo, com adversários políticos de Lula destacando os escândalos envolvendo o Partido dos Trabalhadores e a Operação Lava Jato.
Por outro lado, os dados da pesquisa também revelam que, apesar dos medos em relação a ambos os líderes, a polarização política no Brasil não parece ceder espaço a um consenso. Isso é evidente nas divergências de opinião sobre o futuro do país, onde boa parte da população ainda se vê dividida entre apoiar um possível retorno de Bolsonaro ou manter Lula no poder, com poucos sinais de que o país esteja caminhando para uma reconciliação política significativa.
A pesquisa Quaest foi conduzida em um momento de forte discussão sobre a reforma política e as propostas para melhorar a governança e os desafios econômicos do Brasil. No entanto, ela também aponta para a necessidade urgente de diálogo e, talvez, de um novo tipo de liderança que seja capaz de unir o país, considerando o desgaste de ambos os presidentes, com um eleitorado cada vez mais preocupado com as consequências das escolhas políticas futuras.
Esses números refletem, portanto, um cenário em que o medo e a desconfiança dominam, e a polarização continua a ser uma das maiores características da política brasileira. O levantamento do Quaest é um termômetro de como, ainda que Bolsonaro e Lula tenham amplos apoiadores, há um número considerável de brasileiros que se encontram inseguros sobre o futuro político e econômico do Brasil, preocupados com as possíveis consequências das decisões que serão tomadas nos próximos anos.