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Quase metade da população brasileira demonstra apoio à aproximação do país com o bloco BRICS, indica levantamento

Um recente levantamento de opinião pública apontou que 48% dos brasileiros se mostram favoráveis à manutenção e ao fortalecimento das relações do país com o bloco BRICS — formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O número, embora não represente maioria absoluta, revela uma base sólida de apoio da população à participação brasileira em alianças multilaterais que envolvem nações em desenvolvimento e economias emergentes.

O BRICS, desde sua formação em meados dos anos 2000, tem se consolidado como um contraponto geopolítico aos grandes blocos ocidentais, como o G7 e a União Europeia. Ao reunir países de relevância global, mas com desafios estruturais semelhantes, o grupo passou a atuar em frentes conjuntas que vão da cooperação econômica e comercial à articulação política e diplomática no cenário internacional.

O apoio demonstrado por quase metade da população brasileira à permanência e ao aprofundamento da relação com esse grupo sinaliza uma percepção crescente sobre a importância de diversificar parcerias internacionais. Em um mundo cada vez mais multipolar, a dependência exclusiva de economias tradicionais tem se mostrado arriscada, especialmente diante de tensões comerciais, mudanças no comércio global e instabilidades financeiras.

A pesquisa, embora não tenha identificado os motivos específicos por trás das opiniões dos entrevistados, permite algumas interpretações a partir do contexto recente da política externa brasileira. Nos últimos anos, a retomada do protagonismo do Brasil em fóruns multilaterais e a revalorização das relações com países do Sul Global têm sido bandeiras defendidas por diferentes governos, com maior ou menor ênfase. A população, ao acompanhar essas iniciativas, parece reconhecer o potencial de ganhos estratégicos que podem vir da aproximação com os BRICS.

Entre os fatores que podem explicar esse apoio, estão:

  • Potencial econômico do bloco: Juntos, os países do BRICS representam uma parcela significativa do PIB mundial, além de mercados consumidores imensos e em constante crescimento. Parcerias comerciais e tecnológicas com essas nações podem abrir portas para produtos e empresas brasileiras.
  • Autonomia diplomática: Estar inserido em um bloco que não está sob influência direta das potências ocidentais permite ao Brasil adotar uma postura mais independente em suas decisões geopolíticas, o que é bem visto por setores da população que defendem uma política externa soberana.
  • Investimentos e cooperação técnica: O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), criado pelos BRICS, já financiou projetos de infraestrutura no Brasil, o que evidencia benefícios práticos dessas alianças. Tais ações tendem a gerar reconhecimento por parte da sociedade.
  • Multipolaridade e equilíbrio global: O apoio à integração com os BRICS também pode refletir o desejo de que o Brasil tenha um papel relevante no equilíbrio de forças internacionais, com voz ativa em fóruns globais que discutem mudanças climáticas, segurança alimentar, energia e tecnologia.

Apesar disso, o levantamento também mostra que uma parcela considerável da população ainda se mostra neutra ou não possui opinião formada sobre o tema. Isso evidencia um desafio para o debate público sobre política externa: a necessidade de ampliar o acesso à informação sobre o que significam essas alianças e quais os impactos reais delas no cotidiano do cidadão comum.

É comum que temas de política internacional não despertem o mesmo grau de atenção popular que os assuntos internos — como saúde, educação, segurança ou economia doméstica. No entanto, a forma como o Brasil se posiciona no cenário mundial afeta diretamente as oportunidades de crescimento, emprego, comércio e investimentos. Por isso, compreender o papel dos BRICS e os interesses brasileiros dentro desse contexto é fundamental.

O apoio de 48% registrado pela pesquisa representa, portanto, não apenas um dado numérico, mas também um termômetro da visão de parte significativa da população sobre o papel do Brasil no mundo. Mostra que existe uma base social que valoriza a cooperação internacional fora dos moldes tradicionais e enxerga nos BRICS uma via promissora para o desenvolvimento e a soberania nacional.

À medida que o bloco se expande, discute novas adesões e redefine sua estratégia global, o posicionamento do Brasil dentro desse grupo ganha cada vez mais relevância. E, com ele, cresce também o interesse da população em entender como essa aliança pode contribuir para o futuro do país em um mundo em transformação.

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