Empresas francesas reforçam críticas aos produtos do Mercosul e intensificam tensões comerciais
A polêmica envolvendo a crítica do CEO do Carrefour França aos produtos do Mercosul não é um caso isolado. Outras grandes corporações francesas têm adotado posturas semelhantes, questionando a sustentabilidade e as condições de produção nos países do bloco sul-americano, com destaque para Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Empresas envolvidas e motivos das críticas
- Casino e Monoprix
Conhecidas redes de supermercados francesas, Casino e Monoprix vêm pressionando por maior controle ambiental nos produtos agrícolas do Mercosul, como carne bovina e soja. Elas associam esses produtos ao desmatamento da Amazônia e às emissões de carbono, exigindo rastreabilidade rigorosa e certificações ambientais mais robustas. - Danone
A gigante de laticínios já manifestou preocupações sobre o impacto ambiental da soja e outros insumos importados do Mercosul utilizados na produção de rações para gado. A empresa defende políticas mais rígidas para combater o desmatamento e a perda de biodiversidade na região. - Lactalis
Outra importante empresa do setor alimentício, a Lactalis, levantou questões sobre o desequilíbrio no mercado de lácteos causado por práticas governamentais no Mercosul, incluindo subsídios que tornam os produtos sul-americanos mais competitivos no mercado europeu. - Michelin
Embora fora do setor alimentício, a fabricante de pneus destacou o impacto ambiental da extração de borracha natural no Mercosul, associando a atividade à destruição de florestas tropicais.
Argumentos das empresas
As corporações francesas justificam suas críticas com base em três pilares principais:
- Sustentabilidade ambiental: Alegam que a produção agrícola no Mercosul está ligada ao desmatamento da Amazônia e ao uso excessivo de pesticidas.
- Proteção dos direitos humanos: Denunciam violações trabalhistas em algumas cadeias produtivas, especialmente nas áreas rurais.
- Equilíbrio de mercado: Apontam que os produtos do Mercosul entram na Europa com preços mais baixos devido a práticas como subsídios, o que prejudica a competitividade local.
Reação do Mercosul
Países do Mercosul veem essas críticas como uma tentativa de protecionismo disfarçado, buscando dificultar o acesso de produtos sul-americanos ao mercado europeu.
- Brasil
O governo brasileiro defende que sua produção agrícola é uma das mais eficientes e sustentáveis do mundo, destacando avanços na rastreabilidade e certificação de produtos como carne e soja. - Argentina
Exportadores argentinos afirmam que as acusações francesas são infundadas e que suas práticas agrícolas atendem aos padrões internacionais. - Bloco como um todo
Líderes do Mercosul têm insistido em acordos comerciais equilibrados com a União Europeia, buscando superar os entraves ambientais e protecionistas impostos pelos países europeus, com destaque para a França.
Impactos nas negociações UE-Mercosul
A postura das empresas francesas reflete o posicionamento político da França, que tem sido um dos maiores obstáculos para a ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A exigência de cláusulas ambientais mais rígidas é vista por muitos como uma estratégia para proteger produtores europeus da concorrência com os países sul-americanos.
O que esperar?
Com o aumento das pressões por sustentabilidade e regulamentações mais rígidas, o Mercosul precisará investir ainda mais em práticas que atendam às demandas ambientais globais. No entanto, é essencial equilibrar essas exigências com a defesa de sua competitividade no mercado internacional.
Enquanto isso, a relação comercial entre os blocos continua marcada por tensões, com o futuro das exportações sul-americanas para a Europa pendente de negociações e ajustes diplomáticos.