PF indiciou Marcos do Val, Allan dos Santos e Eustáquio por ameaças a delegado
A Polícia Federal concluiu um inquérito e indiciou o senador Marcos do Val, o blogueiro Allan dos Santos e o jornalista Oswaldo Eustáquio sob a acusação de ameaçar um delegado da própria corporação. O caso envolve declarações públicas e mensagens que, segundo a investigação, configuram tentativa de intimidação contra a autoridade responsável por apurações sensíveis ligadas ao grupo.
Como o caso começou
O inquérito foi aberto após a PF identificar ataques direcionados a um delegado que atua em investigações relacionadas a fake news, atos antidemocráticos e movimentações suspeitas em Brasília. As ameaças ocorreram em diferentes frentes: em transmissões ao vivo, redes sociais e até em entrevistas, onde os três citados mencionaram o policial de forma considerada ofensiva e intimidatória.
O que a PF apurou
Segundo o relatório final, há indícios consistentes de que as falas tiveram intenção deliberada de constranger o delegado, criando um ambiente hostil e tentando descredibilizar o trabalho policial. O documento também aponta que essa prática se encaixa no crime de coação no curso do processo, previsto no Código Penal, além de outras possíveis infrações conexas.
Consequências possíveis
Com o indiciamento, o caso segue agora para o Ministério Público Federal, que vai decidir se oferece denúncia contra os três investigados ou se arquiva o processo. Caso a denúncia seja aceita, eles podem responder criminalmente e até enfrentar condenações que envolvem pena de prisão e multa.
Para o senador Marcos do Val, além da esfera penal, o episódio pode ter reflexos políticos, já que o Conselho de Ética do Senado pode ser acionado. Já Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, que estão fora do Brasil e enfrentam outras investigações, podem ver seu passaporte jurídico ainda mais complicado, com risco de novos pedidos de cooperação internacional.
Clima político
O episódio reforça o embate entre autoridades e figuras ligadas à extrema direita, num momento em que o Judiciário e a PF intensificam a repressão a ataques contra instituições. Para analistas políticos, a situação evidencia que ameaças contra agentes públicos não estão sendo toleradas, especialmente quando partem de atores com relevância política e influência nas redes sociais.