Em novo julgamento no STF, Bolsonaro repete estratégia que marcou sua derrota nas eleições de 2022
O ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a adotar um discurso conhecido durante julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), reacendendo a estratégia que marcou sua campanha em 2022 e que, segundo analistas, contribuiu para sua derrota nas urnas. Com falas incisivas, tom confrontador e críticas à legitimidade de instituições, Bolsonaro parece retomar o caminho de embates com o Judiciário, mesmo diante de um cenário político mais desfavorável.
Durante a análise de processos que envolvem sua conduta à frente do Executivo, Bolsonaro reiterou argumentos já usados no passado: questionamentos à atuação do STF, insinuações sobre interferência no processo democrático e a tentativa de se colocar como vítima de perseguição política. A retórica, que mobiliza sua base mais fiel, também foi responsável por acirrar a polarização política no país.
A estratégia, no entanto, é arriscada. Em 2022, o mesmo discurso contribuiu para sua rejeição junto a setores moderados do eleitorado e levou ao afastamento de figuras políticas que antes compunham sua base de apoio. Repetir esse posicionamento agora, no centro de um julgamento decisivo para seu futuro político, pode representar uma aposta alta com chances limitadas de sucesso.
Assessores próximos ao ex-presidente teriam defendido uma postura mais conciliadora, visando preservar espaço para uma eventual volta ao cenário eleitoral. No entanto, Bolsonaro optou por manter o tom firme, apostando na fidelidade de seus apoiadores e em possíveis reações populares contra as decisões do Supremo.
O julgamento em questão é mais um capítulo de um enredo que vem sendo construído desde o fim de seu mandato. Com investigações em curso e a possibilidade de novas condenações, Bolsonaro parece disposto a manter o discurso que o consagrou entre seus eleitores mais fervorosos, mesmo que isso o isole ainda mais institucionalmente.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que a repetição dessa tática pode inviabilizar alianças para 2026, caso Bolsonaro consiga reverter sua inelegibilidade. O ex-presidente, porém, mostra confiança em seu capital político e segue alimentando a narrativa de resistência.
O Brasil, mais uma vez, assiste ao embate entre um líder que se recusa a recuar e um Supremo que busca reafirmar os limites constitucionais diante de pressões políticas.