Câmeras corporais e uso da força reacendem debate sobre conduta da PM de São Paulo
A atuação da Polícia Militar de São Paulo voltou ao centro das atenções após recentes ocorrências envolvendo uso letal da força. Críticas se intensificam não apenas sobre a rapidez com que agentes disparam armas de fogo, mas também sobre a frequência — ou ausência — do acionamento das câmeras corporais, equipamento que deveria funcionar como instrumento de transparência e controle.
Apesar de milhares de policiais estarem equipados com câmeras, casos recentes levantaram suspeitas de que os dispositivos não estão sendo acionados em momentos cruciais. A situação levanta questionamentos sobre o protocolo de uso dos equipamentos e a real eficácia do sistema de fiscalização interna da corporação.
Em ocorrências onde o desfecho é a morte de suspeitos, cresce o número de episódios sem imagens registradas, dificultando investigações e abrindo espaço para dúvidas sobre a legalidade das ações. Especialistas apontam que a ausência de gravações pode indicar falhas no cumprimento das diretrizes operacionais ou até decisões intencionais para evitar registro de abusos.
O contraste entre a velocidade no uso da força letal e a aparente lentidão para acionar recursos de transparência, como a gravação de imagens, acende o alerta em setores da sociedade civil. Organizações de direitos humanos vêm cobrando respostas mais efetivas do governo e da cúpula da segurança pública, além de uma apuração rigorosa sobre cada caso.
O governo paulista tem defendido o programa de câmeras corporais como um dos mais avançados do país e sustenta que ele tem contribuído para reduzir denúncias contra policiais. No entanto, diante dos recentes episódios, crescem as pressões por mudanças no sistema — como o uso de gravação automática contínua, sem a necessidade de acionamento manual.
Enquanto o debate se intensifica, a população segue dividida entre o apoio à ação enérgica da polícia no combate ao crime e a preocupação com excessos que possam violar direitos básicos. Em meio a esse cenário, a cobrança por mais transparência e responsabilidade ganha ainda mais força.