Surto de Superfungo Atinge Hospital Público em São Paulo
Casos Confirmados e Primeira Morte
O Hospital do Servidor Público Estadual, na zona sul de São Paulo, enfrenta um surto do superfungo Candida auris. Desde o início do ano, 14 pacientes já testaram positivo para o patógeno. A primeira vítima fatal registrada foi um idoso de 73 anos, que não resistiu à infecção. Os casos detectados são de pacientes colonizados, ou seja, portadores do fungo sem que ele esteja ativo.
Alta Resistência e Modo de Transmissão
O Candida auris representa um risco significativo, especialmente para pessoas com o sistema imunológico debilitado. O fungo pode provocar infecções graves na corrente sanguínea, além de afetar feridas cirúrgicas e o trato urinário. Seu potencial de propagação é alto, pois sobrevive em ambientes hospitalares e pode ser transmitido pelo contato com superfícies contaminadas, equipamentos médicos e até mesmo de pessoa para pessoa.
De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Alberto Chebabo, o superfungo é altamente resistente a medicamentos e a medidas de desinfecção hospitalar. Isso dificulta seu controle e torna o tratamento das infecções mais desafiador.
Medidas de Controle e Monitoramento
Diante do surto, o hospital adotou medidas rigorosas para conter a disseminação do fungo. Os pacientes infectados foram isolados em quartos individuais, e os protocolos de higienização foram reforçados. Além disso, a equipe médica passou por treinamentos específicos para lidar com a situação. Como parte do monitoramento, a unidade está realizando coletas mensais durante seis meses para avaliar a evolução do cenário.
Histórico do Superfungo no Brasil
O primeiro caso de infecção por Candida auris no Brasil foi identificado em 2020, no auge da pandemia de Covid-19, em um hospital de Salvador, na Bahia. Na época, a superlotação das unidades de saúde e a dificuldade no controle de infecções facilitaram a disseminação do patógeno. Assim que os primeiros casos foram detectados, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) iniciou um monitoramento rigoroso para estabelecer medidas de segurança e conter o avanço do fungo no país.
Conclusão
O surto de Candida auris no Hospital do Servidor Público Estadual acende um alerta para o risco de infecções hospitalares causadas por micro-organismos resistentes. A rápida disseminação e a dificuldade de tratamento tornam essencial a adoção de medidas preventivas e de controle rigoroso. O monitoramento contínuo e o fortalecimento dos protocolos de higiene são fundamentais para evitar novos casos e garantir a segurança dos pacientes e profissionais da saúde.