Segundo um professor, uma ação coletiva teria mais sucesso contra as tarifas de Trump
O Brasil poderia adotar uma abordagem mais eficaz para enfrentar as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, caso se unisse a outros países sul-americanos em uma ação coordenada. A sugestão vem de Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador de Harvard, que analisou a postura do Brasil nas negociações internacionais e destacou que uma reação em bloco com seus vizinhos poderia dar ao país maior poder de barganha.
Setores Vulneráveis a Tarifas de Trump
Embora ainda seja incerto quais setores do comércio entre Brasil e Estados Unidos serão mais afetados pelas tarifas, há alguns que já estão sendo monitorados devido à sua vulnerabilidade. O setor de ferro e aço, por exemplo, já recebeu alertas em relação a medidas restritivas no passado. Outros setores que podem ser impactados incluem madeira, carvão, etanol e combustíveis.
Em 2024, o comércio entre os dois países alcançou cerca de 40 bilhões de dólares, com o Brasil exportando principalmente aço, alumínio e produtos semifaturados. Por outro lado, o Brasil importa dos EUA produtos manufaturados, como engrenagens e motores de aviões. O impacto das tarifas pode ser considerável, afetando diretamente a balança comercial entre as duas economias.
A Estratégia de Negociação do Brasil
Brustolin aponta o exemplo do Vietnã, que adotou uma abordagem mais ativa ao enviar uma equipe de negociação aos Estados Unidos. O país apresentou ofertas claras de redução de tarifas sobre produtos específicos, como gás natural, carros e etanol, o que permitiu um avanço nas negociações. O professor sugere que o Brasil poderia adotar uma estratégia semelhante, mas com um poder de barganha ainda maior se atuasse de forma coordenada com os países da região.
Uma possibilidade é o uso de organizações regionais como o Mercosul ou a Unasul, que poderiam servir como plataformas de negociação direta com os Estados Unidos, fortalecendo a posição do Brasil nas tratativas.
Oportunidades para o Brasil no Cenário Atual
Diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, Brustolin vê duas oportunidades principais para o Brasil. A primeira é a redução do protecionismo interno, que se manifesta não só nas tarifas, mas também nos subsídios a setores específicos. Reduzir esse protecionismo poderia tornar o Brasil mais competitivo em um cenário global.
A segunda oportunidade é o fortalecimento do Brasil como líder na integração regional. Como a maior economia da América do Sul, representando metade do PIB e da população da região, o país tem um papel central a desempenhar na coordenação de uma resposta coletiva à pressão das tarifas.
Conclusão
O Brasil tem diante de si uma oportunidade estratégica de responder de forma mais eficaz às tarifas impostas pelos Estados Unidos. Ao adotar uma postura mais coordenada com outros países sul-americanos, o Brasil poderia não só aumentar seu poder de negociação, mas também fortalecer a integração regional. Além disso, ao reduzir o protecionismo interno, o país poderia se tornar mais competitivo no comércio internacional. O momento é de ação e colaboração, e o Brasil, com sua posição econômica e política na América do Sul, tem um papel crucial a desempenhar nas negociações globais.