Dino menciona ‘Ainda Estou Aqui’ e afirma que “golpe de Estado é um assunto sério”
Ao votar favoravelmente pela aceitação da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Flávio Dino fez uma importante reflexão sobre as consequências de um golpe de Estado. Durante a sessão, Dino citou o filme “Ainda Estou Aqui”, do diretor Walter Salles, como uma metáfora para explicar que os efeitos de um golpe são profundos e permanentes. Ele ressaltou que a história da ditadura militar no Brasil e seus desdobramentos ainda ecoam, como evidenciado nas telas do cinema.
Golpe de Estado: Uma Memória Permanente
Dino lembrou que, embora se diga que em 1º de abril de 1964 “não morreu ninguém”, o golpe de Estado tem consequências que transcendem o tempo e a morte de pessoas. “Golpe de Estado mata, não importa se é no dia ou anos depois”, afirmou o ministro, referindo-se aos impactos duradouros na sociedade. Ele usou o filme “Ainda Estou Aqui” como uma maneira de ilustrar como os efeitos desse tipo de regime autoritário são perpetuados através das gerações.
O longa-metragem, que venceu o Oscar de melhor filme internacional em 2025, aborda o desaparecimento forçado do ex-deputado Rubens Paiva durante o regime militar. Dino usou a obra para enfatizar a gravidade de um golpe de Estado, afirmando que “golpe de Estado é coisa séria”, especialmente no contexto de um país que sofreu com tais práticas.
A Abertura da Ação Penal e a Defesa da Memória Nacional
Ao votar pela abertura da ação penal contra Bolsonaro, Flávio Dino também fez um forte apelo em defesa da memória nacional. Ele ressaltou que é uma “desonra à memória nacional termos pessoas que perderam familiares em momentos de trevas no Brasil”. A declaração do ministro reflete o compromisso com a preservação da verdade histórica e a justiça, especialmente no que diz respeito às vítimas da ditadura militar.
A Lei da Anistia e a Ocultação de Cadáveres: Crime Permanente
Dino já havia citado o filme “Ainda Estou Aqui” anteriormente, quando o STF reconheceu a repercussão geral de um recurso relacionado à validade da Lei da Anistia, especialmente em casos de ocultação de cadáveres. O ministro considera que crimes como a ocultação de corpos, que prolongam o sofrimento das famílias das vítimas, não devem ser anistiados, pois sua natureza é permanente. “Quem oculta e mantém algo oculto, prolonga a ação até que o fato se torne conhecido. O crime está se consumando inclusive na presente data”, afirmou. Para Dino, o perdão não se aplica a essas práticas, pois elas continuam a afetar a sociedade até que sejam finalmente reveladas.
Conclusão
As declarações de Flávio Dino destacam a importância de não esquecer os traumas do passado, especialmente os causados por golpes de Estado. A utilização do filme “Ainda Estou Aqui” para ilustrar os danos duradouros de uma ditadura reflete o compromisso do ministro com a preservação da memória nacional e a defesa dos direitos humanos. O voto favorável à abertura da ação penal contra Bolsonaro e sua posição sobre a Lei da Anistia reforçam a necessidade de justiça para aqueles que sofreram durante períodos de repressão, mostrando que as consequências de um golpe de Estado não devem ser minimizadas ou esquecidas.