Haddad afirma que governo não teme impactos eleitorais com reforma tributária
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta quarta-feira (22) que o governo federal não está preocupado com eventuais repercussões eleitorais da reforma tributária. Segundo Haddad, a prioridade da equipe econômica é implementar mudanças que modernizem o sistema de impostos e promovam maior justiça fiscal, mesmo que isso possa gerar debates intensos ou descontentamento em setores específicos da sociedade.
O foco na transformação estrutural
Durante uma entrevista coletiva, Haddad enfatizou que a reforma tributária é uma necessidade urgente para o país, e que o governo está disposto a assumir os riscos políticos em prol de um sistema mais eficiente e justo.
“Estamos pensando no Brasil de longo prazo. Não nos preocupamos com os efeitos eleitorais, mas com a necessidade de corrigir distorções que prejudicam a economia e ampliam desigualdades”, afirmou o ministro.
Ele destacou que o atual sistema é um dos mais complexos do mundo e que sua simplificação permitirá maior competitividade para as empresas brasileiras, além de facilitar a vida de empreendedores e consumidores.
Principais pontos da reforma tributária
A proposta em discussão no Congresso Nacional busca unificar impostos sobre consumo, como ICMS, ISS, PIS e Cofins, criando dois novos tributos: o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, sendo um para estados e municípios e outro para a União.
Entre os principais objetivos da reforma estão:
- Redução da burocracia para empresas;
- Simplificação no pagamento de tributos;
- Fim da cumulatividade, que penaliza setores ao longo da cadeia produtiva;
- Maior progressividade, de forma a beneficiar consumidores com menor poder aquisitivo.
Resistências e críticas
Apesar do esforço para aprovar a reforma, Haddad reconheceu que há resistência por parte de alguns setores empresariais e políticos. O receio de aumento na carga tributária em setores específicos, como serviços e agronegócio, tem sido um dos principais pontos de debate.
“O diálogo está aberto com todos os setores. Queremos garantir que ninguém seja prejudicado desproporcionalmente, mas o país não pode mais adiar mudanças que todo mundo sabe que são necessárias”, disse Haddad.
Impactos econômicos e eleitorais
Analistas avaliam que a reforma tributária tem potencial de impulsionar o crescimento econômico no médio e longo prazo, mas reconhecem que ajustes no sistema de impostos podem gerar descontentamento em segmentos mais impactados.
No campo político, a oposição tem tentado explorar as possíveis consequências negativas para criticar o governo, mas Haddad minimizou essas pressões. “Se alguém quiser transformar isso em um debate eleitoral, não será por nossa parte. Estamos focados em fazer o que é certo”, reforçou o ministro.
Próximos passos
A reforma tributária já foi aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados e agora segue para análise no Senado Federal. A expectativa do governo é que o texto final seja aprovado ainda no primeiro semestre de 2025, para que as mudanças possam começar a ser implementadas a partir de 2026.
Haddad concluiu dizendo que a reforma é parte de um plano maior para equilibrar as contas públicas e garantir um crescimento sustentável para o Brasil, independentemente de quem esteja no poder nos próximos anos. “Estamos construindo as bases para o futuro, e isso exige coragem para enfrentar desafios, inclusive políticos”, finalizou.