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Com a ausência de Hugo, oposição descarta progresso na anistia e se concentra em novas estratégias

A bancada de oposição ao governo na Câmara dos Deputados decidiu adiar a discussão sobre o projeto de lei que propõe anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, após a saída do presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), para uma viagem à Ásia. Motta embarcou no sábado (22) para integrar a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com retorno previsto para o dia 27 de março. Durante sua ausência, o comando da Câmara ficará sob a responsabilidade do primeiro vice-presidente, deputado Altineu Côrtes (PL-RJ).

Obstrução e Planejamento de Ações Pós-Retorno

Embora a oposição tenha descartado pautar a urgência do requerimento nesta semana, ela já planeja um encontro para a próxima terça-feira (25), onde discutirá estratégias para pressionar pela votação do projeto assim que houver condições políticas, o que deve ocorrer após o retorno de Hugo Motta. Uma das táticas em consideração é a obstrução das pautas da Câmara, utilizando manobras regimentais, como pedidos de adiamento e discursos prolongados, ou até mesmo a ausência de parlamentares em plenário para evitar o quórum necessário para as votações.

Preocupações e Negativas Sobre Avanço Durante a Ausência de Motta

Aliados do governo demonstram preocupação com a possibilidade de que a oposição tente avançar com o projeto durante a presidência interina de Altineu Côrtes, que é favorável à anistia. No entanto, tanto o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), quanto Altineu Côrtes negaram qualquer tentativa de articulação nesse sentido. Cavalcante reafirmou que não tomariam nenhuma ação em relação à anistia enquanto Motta estiver fora, respeitando a liderança do presidente da Câmara. No entanto, ele ressaltou que, assim que Motta retornar, a prioridade será a análise do projeto.

Posicionamento de Altineu Côrtes e Posição da Oposição

Altineu Côrtes também deixou claro que não haverá movimentações para forçar a votação enquanto Motta estiver ausente. Para ele, o projeto só será pautado quando houver um consenso entre os líderes e uma maioria favorável. Côrtes destacou que a responsabilidade institucional será mantida, respeitando o procedimento correto de pautar a matéria com a participação do presidente da Câmara.

Impasses e Expectativas para o Futuro

Hugo Motta tem sido pressionado por parte da oposição para pautar o projeto, mas ainda não tomou uma decisão definitiva, amparado pela falta de consenso no colégio de líderes. A proposta esteve prestes a ser votada no final de outubro do ano passado, mas foi retirada da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) por decisão do então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Atualmente, o projeto aguarda o aval da Presidência para a formação de uma comissão especial que analisará o texto, sendo que a oposição almeja um atalho, propondo levar o projeto diretamente ao plenário por meio de um regime de urgência.

Conclusão

A falta de consenso sobre a proposta de anistia e as movimentações de ambas as partes indicam que a discussão sobre o projeto pode continuar a gerar impasses no futuro imediato da Câmara dos Deputados. A oposição busca acelerar o processo, aproveitando a ausência temporária do presidente Hugo Motta, enquanto os aliados do governo reafirmam a necessidade de respeitar o trâmite institucional, com o retorno de Motta, para evitar que a pauta avance sem os devidos ajustes. Assim, o cenário para a proposta de anistia segue indefinido, e as próximas semanas poderão trazer mais desdobramentos sobre o destino da matéria.

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