Pesquisa Quaest: 33% dos Brasileiros Veem Governo Lula como Positivo, Enquanto 31% Discordam
Uma pesquisa divulgada pela Quaest trouxe à tona um retrato da percepção pública em relação ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O levantamento aponta que 33% dos brasileiros avaliam a gestão de forma positiva, enquanto 31% a consideram negativa. Essa divisão reflete um cenário de polarização política que se mantém no Brasil desde as eleições de 2022, destacando os desafios enfrentados pelo governo em conquistar a confiança de um eleitorado diverso e exigente.
Resultados da Pesquisa
Os dados mostram que o governo possui um núcleo sólido de apoio, especialmente em regiões como o Nordeste, onde programas sociais e ações focadas em inclusão têm grande relevância. Por outro lado, o descontentamento é mais acentuado nas regiões Sul e Centro-Oeste, onde a oposição política tradicionalmente tem maior força. A pesquisa também indica que 36% dos entrevistados consideram o governo regular, o que sugere uma parcela significativa de eleitores ainda indecisos ou neutros sobre a avaliação da gestão.
Fatores que Influenciam a Aprovação
Entre os principais fatores que impulsionam a percepção positiva, destacam-se o relançamento do Bolsa Família, agora com valores reajustados, e a retomada de obras de infraestrutura paralisadas durante o governo anterior. O fortalecimento das políticas de combate à fome e a busca por acordos comerciais, como o Mercosul-União Europeia, também foram mencionados como pontos favoráveis ao governo Lula.
Por outro lado, os desafios econômicos, como o aumento dos preços dos alimentos e os impactos do dólar forte, afetam negativamente a opinião pública. Além disso, a lentidão em aprovar reformas estruturais, como a tributária, e as frequentes disputas entre Executivo e Legislativo têm gerado críticas, tanto de aliados quanto de opositores.
Divisão Regional e Demográfica
O Nordeste se destaca como o principal bastião de apoio ao governo, com índices de aprovação superiores à média nacional. Isso contrasta com o Sul, onde a rejeição ao governo é mais expressiva. Em termos de gênero, as mulheres apresentam maior tendência a apoiar o governo, enquanto os homens demonstram maior resistência. Já os jovens, especialmente os de 16 a 24 anos, mostram otimismo com as políticas sociais implementadas, enquanto eleitores mais velhos permanecem divididos.
Comparação com Mandatos Anteriores
O terceiro mandato de Lula enfrenta um cenário diferente de seus dois primeiros períodos no poder. No início dos anos 2000, o governo surfava em uma onda de crescimento econômico impulsionada pelo boom das commodities. Hoje, o presidente lida com uma economia global desacelerada, a persistência de problemas inflacionários e um ambiente político interno mais polarizado.
Além disso, o papel das redes sociais na formação de opinião pública tornou-se um desafio inédito. A disseminação de informações – e desinformações – em larga escala dificulta a construção de narrativas consistentes sobre as realizações do governo.
A Visão de Especialistas
Analistas políticos apontam que, para consolidar sua base de apoio, Lula precisará demonstrar avanços concretos em áreas-chave, como saúde, educação e segurança pública. “O desafio do governo será transformar as ações realizadas em resultados perceptíveis para a população. A aprovação depende diretamente da sensação de melhoria na qualidade de vida”, explica a cientista política Maria Antunes.
Por outro lado, a oposição tenta capitalizar o descontentamento com pautas polêmicas, como o aumento de impostos e as discussões sobre a ampliação de programas sociais. “A base oposicionista tem usado temas econômicos para criticar o governo, explorando o impacto da inflação no bolso do cidadão comum”, avalia o economista Paulo Menezes.
Perspectivas para o Futuro
A pesquisa da Quaest serve como um termômetro importante para os rumos da gestão Lula. Com a necessidade de fortalecer alianças no Congresso e avançar em pautas como a reforma administrativa, o governo terá que equilibrar diálogo político e resultados concretos para ampliar sua aprovação.
Além disso, as eleições municipais de 2024 serão um teste crucial para o governo, pois indicarão se o Partido dos Trabalhadores (PT) e seus aliados conseguem manter a força política em regiões estratégicas.
Enquanto isso, a avaliação regular de 36% aponta uma oportunidade: conquistar a confiança dos eleitores que ainda estão em dúvida. Para isso, será essencial que o governo apresente resultados tangíveis, especialmente na economia, onde os desafios continuam a pressionar a população brasileira.